{"id":1707,"date":"2026-06-04T14:16:00","date_gmt":"2026-06-04T17:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/queridabh.com.br\/?p=1707"},"modified":"2026-07-14T14:31:25","modified_gmt":"2026-07-14T17:31:25","slug":"recuperacao-tributaria-via-imunidade-reciproca-ganha-espaco-entre-entes-publicos-e-estatais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/2026\/06\/04\/recuperacao-tributaria-via-imunidade-reciproca-ganha-espaco-entre-entes-publicos-e-estatais\/","title":{"rendered":"Recupera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria via imunidade rec\u00edproca ganha espa\u00e7o entre entes p\u00fablicos e estatais"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Tese constitucional pode destravar a restitui\u00e7\u00e3o de valores pagos indevidamente por munic\u00edpios, autarquias, funda\u00e7\u00f5es e algumas sociedades de economia mista<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Munic\u00edpios, autarquias, funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e, em determinados casos, sociedades de economia mista podem ter uma via jur\u00eddica para revisar tributos pagos ao longo dos anos e recuperar valores recolhidos indevidamente com base na imunidade rec\u00edproca prevista na Constitui\u00e7\u00e3o. A tese vem ganhando relev\u00e2ncia justamente por atingir estruturas que, em muitos casos, suportaram cobran\u00e7as incompat\u00edveis com a prote\u00e7\u00e3o constitucional destinada aos entes p\u00fablicos e a entidades vinculadas \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imunidade rec\u00edproca est\u00e1 prevista no artigo 150, inciso VI, al\u00ednea \u201ca\u201d, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que veda a cobran\u00e7a de impostos entre os entes federativos sobre patrim\u00f4nio, renda ou servi\u00e7os. Na pr\u00e1tica, isso significa que a Uni\u00e3o, os estados, o Distrito Federal e os munic\u00edpios n\u00e3o podem tributar uns aos outros nessas hip\u00f3teses. O tema, por\u00e9m, vai al\u00e9m da literalidade do texto constitucional e exige an\u00e1lise da fun\u00e7\u00e3o desempenhada pela entidade, da origem dos recursos e da forma como a atividade \u00e9 estruturada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Igor Montalv\u00e3o, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio MSL Advogados, muitas organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou equiparadas a elas deixam de revisar a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o fiscal e acabam arcando com tributos que poderiam ser questionados. \u201cO ponto central \u00e9 entender se a entidade est\u00e1, de fato, protegida pela imunidade e se houve recolhimento indevido ao longo do tempo. Em muitos casos, existe um passivo tribut\u00e1rio silencioso que pode ser revisto com base em crit\u00e9rios constitucionais e jurisprudenciais\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sociedades de economia mista e estatais<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debate se torna ainda mais relevante quando envolve sociedades de economia mista e empresas estatais que prestam servi\u00e7o p\u00fablico. Nesses casos, a discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica: depende de uma leitura mais cuidadosa sobre a atividade exercida, o grau de interfer\u00eancia estatal e a natureza da receita. O Supremo Tribunal Federal j\u00e1 enfrentou situa\u00e7\u00f5es desse tipo e admitiu, em contextos espec\u00edficos, a extens\u00e3o da imunidade, especialmente quando a estatal atua como <em>longa manus<\/em>&nbsp;do poder p\u00fablico e n\u00e3o em ambiente de concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Montalv\u00e3o, a recupera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria nessas hip\u00f3teses n\u00e3o deve ser tratada como uma tese gen\u00e9rica, mas como uma estrat\u00e9gia jur\u00eddica constru\u00edda caso a caso. \u201cN\u00e3o basta a entidade ser p\u00fablica ou ter alguma vincula\u00e7\u00e3o com o poder p\u00fablico. \u00c9 preciso demonstrar, com documenta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise t\u00e9cnica, que a cobran\u00e7a incidiu sobre uma situa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada pela imunidade. Esse cuidado \u00e9 o que diferencia uma tese s\u00f3lida de uma tentativa de restitui\u00e7\u00e3o sem base consistente\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo pr\u00e1tico ajuda a visualizar a tese: imagine um munic\u00edpio que, durante anos, tenha recolhido indevidamente determinado imposto sobre patrim\u00f4nio ou servi\u00e7os vinculados diretamente \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o administrativa. Se confirmado que a cobran\u00e7a contrariava a imunidade rec\u00edproca, esse ente pode buscar a restitui\u00e7\u00e3o dos valores pagos dentro do prazo legal, al\u00e9m de reavaliar a exig\u00eancia para os per\u00edodos seguintes. O mesmo racioc\u00ednio pode ser aplicado, com as devidas nuances, a autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que tenham suportado tributa\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com sua prote\u00e7\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da possibilidade de recuperar valores, a revis\u00e3o traz outro efeito importante: a corre\u00e7\u00e3o de passivos e a preven\u00e7\u00e3o de novas cobran\u00e7as indevidas. Para Montalv\u00e3o, esse \u00e9 um ponto estrat\u00e9gico para munic\u00edpios e entidades p\u00fablicas que convivem com restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e precisam ampliar a efici\u00eancia da gest\u00e3o fiscal. \u201cQuando a an\u00e1lise \u00e9 bem feita, a imunidade rec\u00edproca deixa de ser apenas uma garantia abstrata e passa a funcionar como um instrumento concreto de preserva\u00e7\u00e3o de receita e de seguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tese, portanto, deve ser vista como uma oportunidade de reorganiza\u00e7\u00e3o fiscal e n\u00e3o apenas como disputa tribut\u00e1ria. Em um cen\u00e1rio de press\u00e3o sobre as finan\u00e7as p\u00fablicas, a identifica\u00e7\u00e3o de recolhimentos indevidos pode representar al\u00edvio relevante no caixa e, ao mesmo tempo, refor\u00e7ar a observ\u00e2ncia de um princ\u00edpio constitucional estruturante do sistema federativo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tese constitucional pode destravar a restitui\u00e7\u00e3o de valores pagos indevidamente por munic\u00edpios, autarquias, funda\u00e7\u00f5es e algumas sociedades de economia mista&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1708,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-1707","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1707"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1707\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1709,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1707\/revisions\/1709"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}