{"id":328,"date":"2025-06-08T10:08:59","date_gmt":"2025-06-08T13:08:59","guid":{"rendered":"https:\/\/queridabh.com.br\/?p=328"},"modified":"2025-06-05T10:14:50","modified_gmt":"2025-06-05T13:14:50","slug":"o-custo-oculto-das-obras-como-a-inadimplencia-atrasa-e-encarece-projetos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/2025\/06\/08\/o-custo-oculto-das-obras-como-a-inadimplencia-atrasa-e-encarece-projetos-no-brasil\/","title":{"rendered":"O custo oculto das obras: Como a inadimpl\u00eancia atrasa e encarece projetos no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Rafael Medeiros, Diretor Executivo B2B da Global<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo ano, a inadimpl\u00eancia no setor B2B registrou um aumento, apontando que a intrincada realidade econ\u00f4mica \u2013 tanto internamente quanto externamente \u2013, tem atingido as empresas brasileiras. De acordo com dados do setor, quase 7 milh\u00f5es de empresas est\u00e3o inadimplentes, o que significa um aumento de 4,5% entre 2023 e 2024. Na realidade, cerca de 32% das empresas operando nacionalmente registraram algum d\u00e9bito vencido.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor de Constru\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio n\u00e3o foi muito diferente. Dados recentes compilados no \u00cdndice Global de Recupera\u00e7\u00e3o de Cr\u00e9dito B2B (IGR), apurado pela Global no in\u00edcio deste ano, apontaram que o setor de Constru\u00e7\u00e3o e Projetos foi o terceiro maior no volume de t\u00edtulos de cobran\u00e7a cadastrados junto \u00e0 empresa, com 12% dos cerca de 1,5 milh\u00e3o de cobran\u00e7as, perdendo somente para Bens de Consumo N\u00e3o Dur\u00e1veis (30%), e Alimentos e Bebidas (27%).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade se traduz em canteiros parados, cronogramas descumpridos e custos crescentes que muitas vezes n\u00e3o aparecem nas planilhas iniciais. Estimativas mostram que os atrasos em projetos podem chegar a custar R$ 59 bilh\u00f5es, entre 2023 e at\u00e9 o final deste ano, o que representa 8% do total de investimentos previstos, segundo um levantamento feito pela Delloite para a Fiesp (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a burocracia e outros gargalos contribuam para esses atrasos, a inadimpl\u00eancia de clientes e fornecedores adiciona uma camada extra de inefici\u00eancia. Cada fatura n\u00e3o paga ou entrega n\u00e3o realizada a tempo pode desencadear um efeito domin\u00f3 que paralisa obras e exige inje\u00e7\u00f5es adicionais de recursos \u2013 um custo oculto que acaba sendo repassado para o projeto e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, para o consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inadimpl\u00eancia de clientes e o estrangulamento do fluxo de caixa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de outros setores, a constru\u00e7\u00e3o civil tem alto custo corrente \u2013 sal\u00e1rios de trabalhadores, compra de materiais, equipamentos e despesas operacionais n\u00e3o podem esperar. A falta do pagamento devido desequilibra o fluxo de caixa, for\u00e7ando a construtora a queimar reservas ou buscar cr\u00e9dito emergencial para cobrir a lacuna financeira. Com os juros em patamares elevados, recorrer a empr\u00e9stimos onera ainda mais o empreendimento. Em muitos casos, obras inteiras s\u00e3o desaceleradas ou paralisadas at\u00e9 que os pagamentos sejam regularizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, muitas incorporadoras dependem do recebimento de parcelas de compradores ou de repasses de financiamentos para tocar a obra. Se os adquirentes de im\u00f3veis ou financiadores atrasam pagamentos, falta capital para pagar empreiteiros e fornecedores. \u00c9 o que costuma ocorrer em crises: micro e pequenas empresas representaram 6,5 milh\u00f5es dos inadimplentes no fim de 2024, indicando que in\u00fameros pequenos investidores ou contratantes de obras podem falhar nos pagamentos, sufocando construtoras de menor porte.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado desse estrangulamento de caixa \u00e9 a necessidade de renegociar prazos com fornecedores, atrasar pagamentos em cascata ou at\u00e9 recorrer a recupera\u00e7\u00f5es judiciais no pior cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tempo \u00e9 dinheiro: quanto maior o atraso, menor a chance de recupera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez instalado o problema da inadimpl\u00eancia, outro aspecto cr\u00edtico aparece: a velocidade de rea\u00e7\u00e3o influencia drasticamente a chance de recuperar os valores devidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto \u00e9 que as informa\u00e7\u00f5es reunidas no IGR mostram que o tempo de atraso \u00e9 inimigo da recupera\u00e7\u00e3o. D\u00edvidas muito tempo em aberto acabam virando preju\u00edzo quase certo. Nos primeiros dias ap\u00f3s o vencimento, a probabilidade de receber ainda \u00e9 alta. Em alguns setores, at\u00e9 98% dos t\u00edtulos em atraso de 1 a 10 dias conseguem ser recuperados com a\u00e7\u00f5es adequadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, essa porcentagem cai progressivamente conforme o calend\u00e1rio avan\u00e7a. Passadas duas ou tr\u00eas semanas, os \u00edndices j\u00e1 come\u00e7am a desanimar: por exemplo, na faixa de 11 a 20 dias de atraso, setores como o t\u00eaxtil recuperam apenas 87% dos cr\u00e9ditos e entretenimento, 78%. Quando o atraso ultrapassa 30 dias, a queda se acentua para todos os segmentos. Entre 31 e 60 dias de atraso, uma \u00e1rea como lazer recupera somente 60% das d\u00edvidas; t\u00eaxtil, 56%.<\/p>\n\n\n\n<p>O panorama mais preocupante est\u00e1 nas d\u00edvidas antigas. Quando uma d\u00edvida empresarial passa de seis meses em aberto, a recupera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia despenca para apenas 20%. Ou seja, de cada cinco faturas vencidas h\u00e1 mais de 180 dias, quatro acabam n\u00e3o sendo pagas nunca. Esse dado da Global explicita o custo do tempo: postergar a cobran\u00e7a ou &#8220;deixar pra depois&#8221; significa, muitas vezes, abrir m\u00e3o de receber quase tudo. O que era para entrar como receita no balan\u00e7o torna-se preju\u00edzo ou precisa ser baixado como perda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que a chance de recupera\u00e7\u00e3o cai tanto? Em parte, porque a empresa devedora pode enfrentar agravamento de sua situa\u00e7\u00e3o financeira com o passar dos meses, entrando em efeito bola de neve. Outra raz\u00e3o \u00e9 o simples esquecimento ou perda de urg\u00eancia \u2013 quanto mais distante no tempo, menos prioridade aquele pagamento atrasado tende a ter para o devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Soma-se a isso fatores como mudan\u00e7a de gest\u00e3o, disputas contratuais e at\u00e9 a eventual fal\u00eancia do devedor, e fica claro porque d\u00edvidas antigas s\u00e3o t\u00e3o dif\u00edceis de receber. A mensagem para quem conduz projetos \u00e9 clara: acionar rapidamente os mecanismos de cobran\u00e7a, atuando nas primeiras duas semanas, faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como mitigar os riscos da inadimpl\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante de todos esses riscos, o que as empresas podem fazer na pr\u00e1tica para se proteger e diminuir atrasos e preju\u00edzos? A primeira medida, e a mais importante, \u00e9 o monitoramento cont\u00ednuo da carteira de clientes e fornecedores, e isso inclui checar periodicamente indicadores como protestos, restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e atrasos iniciais de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra estrat\u00e9gia adotada pelas empresas \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o de uma r\u00e9gua de relacionamento com a cobran\u00e7a preventiva. Muitas inadimpl\u00eancias s\u00e3o resolvidas com di\u00e1logo e pequenas renegocia\u00e7\u00f5es de prazo \u2013 o importante \u00e9 n\u00e3o perder o contato nem a iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, o volume de inadimpl\u00eancia torna dif\u00edcil essa gest\u00e3o dentro da empresa \u2013 e para esse problema em espec\u00edfico, h\u00e1 empresas especializadas em cobran\u00e7as B2B, e com conhecimento do setor de Constru\u00e7\u00e3o civil, o que facilita a constru\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia mais efetiva de cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas empresas do setor tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o usando a automa\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a, com o apoio da IA (Intelig\u00eancia Artificial). Aproveitar a tecnologia para agilizar e tornar mais eficiente o processo de cobran\u00e7a faz toda diferen\u00e7a. Ferramentas de gest\u00e3o enviam lembretes autom\u00e1ticos de vencimento, geram boletos e alertas, diminuindo a chance de esquecimento do pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Canais digitais como e-mail, SMS e especialmente WhatsApp t\u00eam se mostrado eficazes \u2013 hoje, o WhatsApp j\u00e1 lidera com 51% de participa\u00e7\u00e3o entre os canais com maior quantidade de acordos fechados em recupera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito empresariais. Al\u00e9m disso, solu\u00e7\u00f5es de IA generativa est\u00e3o inovando a cobran\u00e7a: bots inteligentes negociam com devedores de forma personalizada, em escala, 24 horas por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao tornar vis\u00edvel o custo oculto da inadimpl\u00eancia e adotar pr\u00e1ticas para cont\u00ea-lo, o setor de constru\u00e7\u00e3o civil pode ganhar mais previsibilidade e efici\u00eancia. Cada contrato honrado no prazo, cada d\u00edvida recuperada a tempo e cada parceria financeira s\u00f3lida representam n\u00e3o apenas economias no curto prazo, mas tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um mercado mais confi\u00e1vel e resiliente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um ambiente de neg\u00f3cios desafiador, essa pode ser a diferen\u00e7a entre uma obra entregue com sucesso e um empreendimento inviabilizado pelos atrasos e estouros de custo. Em suma, enfrentar de frente a inadimpl\u00eancia \u00e9 hoje t\u00e3o importante quanto erguer bons alicerces \u2013 \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que os projetos saiam do papel no prazo e pelo custo planejado, sem surpresas desagrad\u00e1veis pelo caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rafael Medeiros, Diretor Executivo B2B da Global No \u00faltimo ano, a inadimpl\u00eancia no setor B2B registrou um aumento, apontando&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":329,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-328","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=328"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":330,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328\/revisions\/330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/queridabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}